segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Discurso de um nerd abatido

Não dá pra deixar as coisas permanecerem como estão! Quero dizer, vocês nos humilham, desde que nos conhecemos e depois vêm pedir conselhos...
Está bem, talvez não sejam conselhos propriamente ditos, afinal, o que pessoas inexperientes como nós - em assunto de relacionamentos, quero dizer - poderiam ensinar para vocês, as pessoas mais populares e despojadas que desfilam pelos corredores?
Mas quando se aproximam as provas finais a nossa experiência em exatas ajuda muito, não?
E nessas horas precisamos desconsiderar toda a provocação, todo constrangimento e todas as referências de mau gosto ao nosso "estilo" - sim, os inteligentes têm estilo, embora vocês não saibam apreciar um gosto mais clássico... e não me venha com essa história de nerd que... que eu mando uns caras corpulentos que eu conheço espancarem vocês! - e ajudar vocês nas provas de matemática, física, química e biologia.
Por que deveríamos fazer isso, afinal?
A resposta é: não deveríamos!
Mas fazemos, sabe por quê? Porque temos pena de vocês. Porque, apesar de tudo o que vocês nos fizeram passar durante o ano, arancando os nossos óculos, abaixando as nossas calças, rindo dos nossos aparelhos fixos e inventando todos aqueles apelidos ridículos, ainda queremos que saibam que não guardamos rancor. E, claro, porque queremos que vocês nos garantam uns convites para a próxima festa de arromba que derem.
Mas se vocês querem guerra, vão ter guerra!
Acontece que desde o início sabíamos que iam precisar de nós. Quando cansassem de jogar bolinhas de papel e parassem de dizer que dormimos com a professora para conseguir uma boa nota, a nossa nota dez. E esse dia chegou! A nossa vingança está quase completa: um dia vocês vão nos ver passar na Tv ganhando um prêmio Nobel, encontrando a cura do câncer ou como donos das empresas mais ricas do mundo. Sabem onde vocês vão estar? À nossa porta pedindo empregos. E se querem saber, só vão conseguí-lo se pedirem desculpas de joelhos. De joelhos;
Na verdade, vocês não passam de uns insípidos, maçantes, achamorrados, alorpados, aparvalhados, sandeus, taroucos, pastranhos, pascácios, labruscos, ignaros e acima de tudo, onagros.
Não me preocupo se vão ou não se ofender com essa última parte. Provavelmente não vão entender. Ahá! Peguei vocês!
Procurem um dicionário, idiotas.
In off: Por que tem gente que acha que nerds não têm vida social? Por que acham que são nerds, afinal? Só porque tiram boas notas o ano todo e estão passados antes do fim da terceira unidade? Alguém precisava falar por eles, sério. Bom, aí está o Discurso de um nerd abatido. Espero ter levantado a auto-estima deles... Tá legal, eu confesso, já me chamaram de nerd várias vezes, mas eu consegui me vingar de alguns haha. Tá legal, eu não me vinguei, mas um dia eles precisarão de mim e um dia vão me ver passar na Tv ganhando o prêmio Nobel ou descobrindo a cura do câncer ou... blá blá blá. Quero dizer, talvez me vejam como professora de português e me implorem pra eu não reprovar os seus filhos. Estou parecendo meio vingativa, né? Na verdade eu nunca entendi porque me chamam de CDF. Eu pareço normal, não? Quero dizer, vocês me conhecem o suficiente pra saber que a minha vida não se resume a livros e eu não fico corrigindo as pessoas o tempo todo, embora eu vá cursar Letras Vernáculas em breve, espero.
Por falar em livros - paradoxal, considerando o que acabei de dizer - terminei Lua Nova e O garoto da casa ao lado da Meg Cabot. Gostei muito. Na verdade, é diferente de tudo quanto eu já li. Pra começar, é todo escrito na forma de e-mails. E a história é bem legalzinha... Estou aceitando sugestões para próximos livros...
Mais uma coisa: Dessa vez só se passaram três dias desde a minha última postagem. Estou melhorando nisso. Daqui a pouco voltarei a ser a ativa Thairane, que atualiza o blog quase diariamente. Um abraço a todos.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Quem morreu?

Cometeram um grave erro ao colocar nas palavras do celebrante de uma cerimônia de casamento as seguintes palavras: "Eu vos declaro marido e mulher até que a morte os separe". Talvez na época que esse texto foi escrito, realmente era a morte o único fator a separar os cônjuges - a morte de um deles, é válido relembrar. E às vezes até acontecia de nem isso separar os dois, como nos casos das avós e bisavós da gente - por quê, em geral, os homens morrem primeiro? - que consideravam virtude permanecer viúva e casta.
O erro nessa frase é que a morte não foi justificada. Assim há espaço para várias interpretações, de acordo com as "necessidades" pessoais de cada um dos casados.
E ultimamente os tipos de morte têm variado bastante. Viva a criatividade - e o desejo de se livrar do(a) esposo(a)!
Explico o que afirmei acima.
Por exemplo: o respeito pode morrer. Nossa, nesse caso é xingamento na certa, com o uso indiscriminado de diversos animais, claro. Depois, separação.
A paciência pode bater as botas também. Talvez um dia, depois de conviver com a mesma pessoa por anos e anos (se não meses), a repetitividade esgote o relacionamento. Pelo menos é o que eles dizem ao se separar.
Ahn, uma coisa que quase sempre acontece também é a morte da beleza. Não há como negar que a finada era um elo que unia vários casais. Se no início houve uma paixão avassaladora pelos músculos, pernas e cabelos (negros ou loiros, quase nunca brancos) do cara, deve ser difícil encará-lo e ver que tudo isso... evaporou-se. Ou talvez seja chato ver que os peitos da senhora já batem na cintura. É, meus caros, a pele de pêssego pode virar de uva-passa.
Mas não há como negar que o óbito que está por trás do fim da maioria dos casamentos é o da conta bancária. Não, não, assim não há lucro!
In off: Olá gente. Primeiro post das minhas férias. É bom dizer isso. Preciso até falar que eu não dei um ataque de choro na última vez que fui ao colégio, menos mal. Ainda assim sei que vou sentir uma falta - não agora, depois que curtir bem as minhas férias, né? Ah, estou terminando de ler "Lua Nova" (se alguém estiver querendo me dar Eclipse, fique à vontade, rsr). Depois eu acho que vou ler O garoto da casa ao lado da Meg Cabot, que ganhei toda feliz da minha amiga. Acho que a parte das notícias acaba aqui... Voltando ao texto, escrevi pra o Blorkutando, já que há semanas eu não participava por vários motivos que vocês já cansaram de ler. E eu juro que acredito no casamento: bem que eu quero encontrar a pessoa certa - não perfeita - pra casar. E torço muito para que dê certo até o fim, sabem como é, morte, dessa vez no sentido literal haha. Meio piegas? Também achei, mas não ligo não...
Beijos amigos blogueiros pacientes :D Até a próxima!

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

História conhecida

Ele tinha me deixado um recado na secretária eletrônica dizendo que queria conversar comigo o mais rápido possível. Não que conversar com ele fosse desagradável, eu só não conseguia entender, por mais que eu quisesse, o quê, de tão importante, ele teria pra me dizer no meio da noite. Quero dizer, eu tinha minhas desconfianças...
E enquanto eu me dirigia para o local do encontro, ia organizando minhas teorias. Ele era incrivelmente atraente. Mais do que eu pensei que fosse possível ser real. Era forte (entenda-se "forte" como estonteantemente musculoso) e atencioso, o que realmente me fazia babar de vez em quando (juro que até hoje me esforço para não fazer uma coisa dessas na frente dele). Mais alguma coisa? Ah, sim: ele estava um pouco distante ultimamente, uso a palavra "frio" se você preferir. Está tudo se encaixando...
Quando eu cheguei, ele já me esperava e parecia estar bem tenso. Não foi difícil adivinhar o assunto do qual íamos tratar...
-Oi, Isa!
-Oi, Eduardo!
Um período curto de silêncio. Eu sou forçada a quebrá-lo:
-Você disse que precisava me dizer alguma coisa importante...
-Urgente - corrigiu.
-E o que é tão urgente?
Depois de um breve instante de silêncio, ele continua:
-Não podemos mais nos ver, é isso.
-O quê? Por... quê?
- Simplesmente não dá mais pra seguir com isso adiante e de forma... segura para nós.
É claro que era isso. Não podia realmente ser outra coisa. Mesmo que já soubesse o final, eu tinha que me opor, sabem como é, pra não desmoralizar a história:
-Você não pode fazer isso. Nem precisa... - hesitei ao ver sua reação - eu acho.
- Você não entende... Eu sou...
Ele ia confessar!
-Pode me contar, eu até já imagino o que seja.
-Sou...
Ah, isso já estava passando do limite. Eu tinha que ajudar:
-Você é...
-Eu...
- Um vam...
-Eu sei que talvez você não entenda...
- ...pi...
- Mas eu preciso...
- ... ro. Você é um vampiro. Acertei?
-Ahn?
-Eu já conheço a história. Na verdade foi até menos dramático do que eu esperava. Sei como é, sou irresistivelmente atraente pra você e você tem medo de querer sugar o meu sangue inteiro se continuar-mos com isso, não é?
Ele estava sem reação. Parado na minha frente. Acho que não acreditava que eu fosse entender tudo tão rápido. Continuei:
-Eu sei que você pensou que eu não fosse entender, mas, francamente, essa história já é manjada e eu não sou burra, já conheço o final. Também não poderia ignorar os sinais, não é? Até nossos nomes, "Isa", "Eduardo" denunciam a trama.
Pisquei pra ele. Ele não tinha saído da sua posição.
-O que? Você não entendeu...
-Ah, você quer que eu chore e esperneie feito a tal da Swan? Ah, faça-me o favor! Só não entendo onde está o Jacob da trama... Sabe como é: alguém precisa salvar a reputação das Isas...
-Eu não sou um vampiro...
-Ahn?
-Eu sou casado.
Agora quem estava sem reação era eu.
Ok. Por essa eu não esperava. Até que faz sentido, mas confesso que não era o que eu pensei. Acho que ando lendo ficção demais...
In off: Olá gente! Esse clima todo de Crepúsculo se deve ao fato de eu ter assistido a Lua Nova hoje. Confesso que não resisti ao imaginar esse pequeno conto quando cheguei em casa e tive que postá-lo. Ah, minhas opiniões sobre o filme? Não chamaria de "ruim", mas sinceramente acredito que o livro deve ser bem melhor. Aliás, já comecei a lê-lo. Assim que terminá-lo vou contar minhas verdadeiras impressões pra vocês, certo? Ah, voltando à parte das notícias sobre mim, estou avisando, como prometi no post passado, que criei enfim a conta do orkut. Podem me adicionar à vontade (se quiserem, claro! :D): thairane-nascimento@bol.com.br . E só pra terminar, peço que me desejem uma boa prova de ENEM amahã, não sei se estou realmente preparada para a interminável maratona de questões, mas farei o possível. Até breve!

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Disputa

Estavam lado a lado. Quero dizer, estavam sentados em poltronas vizinhas. Ele e ela, mais o silêncio. Há horas ninguém dizia uma palavra, embora talvez isso fosse justificado pelo fato de que ela estivesse observando a paisagem e ele, ouvindo alguma música com seus fones de ouvido. Havia uma aparente paz.

Mas isso não ia durar a viagem toda, é certo.

Ele abre os olhos e pareceu despertar ou voltar de um lugar distante. Abaixou o apoio para o braço que dividia as duas poltronas. Colocou o seu braço. Voltou a fechar os olhos e prestar atenção à sua música. Minutos depois, ela teve a ideia de fazer o mesmo: ajeitar a coluna e apoiar os dois braços. Pena que ele já tinha feito isso!

Felizmente, pelo menos pra ela, ele se distrai um pouco e tira o braço do apoio. Ia mudar a música, ou algo assim. Era a oportunidade: põe o seu braço no apoio. Ele imediatamente percebeu a consequência de sua distração e tenta delicadamente colocar o seu braço ali também. Ela resiste:
-Ei, só tem espaço pra um braço aqui!
-Eu sei, por isso estou tentando tirar o seu!
-Mas você tinha tirado o braço!
-E tinha colocado ele aí primeiro!
-Você devia ser um cavalheiro e me deixar como estou...
-E você devia ser mais educada e tirar o seu braço daí...
As coisas estavam ficando sérias. Todos ao redor estavam olhando, e a discussão aumentava: era de um "sai daí" a um "se manda", sem contar os xingamentos. De repente, não sei como, talvez devido a violência com a qual já lutavam, o apoio se quebra.
Silêncio.
Agora o apoio não era de ninguém. Cada um vira pra o seu lado e finge que não viu.
In off: Galera, eu sei que esse não é o melhor que posso fazer, mas gostei desse texto. Quem nunca competiu por aquele apoio entre as poltronas do ônibus? Preciso afirmar: eu já! Claro que não cheguei a brigar assim, mas tenho meus truques, haha. Ah, algumas notícias, caso queiram saber: Além do que acontece de costume, eu não atualizei o blog essa semana porque estava viajando. Fui à Chapada Diamantina com uns amigos e professores, sabem como é, despedida do terceiro ano (ok, não vou chorar por isso de novo). Enfim, foi ótimo e estava sem tempo. Pelo menos esbocei esse texto enquanto estava no ônibus... Outra: estou lendo Crepúsculo. Tá, podem rir por eu só estar fazendo isso agora, mas... a,. não sei explicar, só preciso dizer que estou
A - D - O - R - A - N - D - O
E achei muito melhor que o filme, devo salientar.
Ahn, mais alguma coisa?
Ah, talvez eu faça um orkut(estou com uma preguiça de começar...). Se fizer isso, vocês serão avisados e vou querer todos como amigos hein?
Acho que é só isso. Ah, mais uma: caso queiram ver algumas fotos da viagem, eu postei no meu blog (católico) Novo jeito de ser: revolucionário em Jesus. Sei que hoje passei dos limites nessa parte. Agora já me vou!

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Problemas de linguagem

"Eu também adoro linguiça!" Nossa, o que foi que tinha dado nela pra dizer aquilo pra o garoto? Simplesmente agora não conseguia se perdoar. Era só uma conversa causal de possíveis futuros namorados e ele tocou no assunto do almoço. "Devo ter parecido uma idiota!", Camila está pensando agora. Talvez tenha parecido mesmo, mas essas coisas acontecem em uma paquera, não? De qualquer forma, com essa conversa de linguiça, molhos e afins, eles não conseguiam chegar ao assunto que ambos queriam: afinal, ia dar ou não em namoro aquela história?
- * -
"Ahn, eu nem almocei direito hoje. Só comi umas linguiças..." Comer linguiças? Que história era aquela?" Caio não conseguia se perdoar por ter dito aquilo. "Ela deve ter me achado com cara de idiota!" Ele poderia ter razão, se a pobre da Camila só não estivesse pensando na própria "idiotice". Que cada um ficasse com sua idiotice, enfim! Mas de qualquer modo, com isso o "relacionamento" - se é que se pode chamar uma amizade-paquera formada de poucas frases e grandes silêncios assim - não seguia adiante, não virava namoro nunca! E olhe que ambos queriam. Quer dizer: a Camila sabia que queria, mas tinha dúvidas se o Caio ia querer saber dela ou se achava que ela era idiota. O Caio sabia que queria, mas não sabia se Camila ia querer ficar com um garoto que saía por aí dizendo que comia linguiças. Só de lembrar disso ele sente de novo uma raiva de si...
- * -
Duas semanas depois do episódio da linguiça, eles não se tinham encontrado ainda, ambos pensando que tinha sido por causa do que haviam dito. Finalmente se enxergam de longe, em uma festa. Ficam longos minutos assim, em silêncio, enquanto ele se aproxima. Ela não diz nada, mas fica feliz por saber que está tudo bem, parece. Ele estava nervoso, ela começava a ficar nervosa também. Parecia que ele queria tomar coragem pra dizer alguma coisa, talvez pedir desculpas, talvez...
-E aê, tá afim?
"Hã?" É o que Camila pensa. O que é que ele queria dizer com aquilo? Não dá tempo de concluir o pensamento, dado a rapidez e força com que Caio a agarra e lhe rouba um beijo.
Um beijo definitivamente legal.
Continuam sem dizer nada depois disso, mas ambos entenderam que aquilo significava alguma coisa. Talvez que a amizade tenha se transformado em algo maior, talvez que não tivessem tanta importância as frases ensaiadas e os micos que um pagava na frente do outro, talvez um pedido desesperado de socorro, amor. De qualquer forma, era aquilo e eles se beijam novamente.
In off: Galera, que saudade de vocês! Faz mais de uma semana que eu não posto, mas não é esquecimento - me dá uma dor cada vez que eu penso que abandonei vocês sem querer - e nem falta de criatividade - esse texto já está na minha cabeça há dias. Não sei se seria lugar-comum dizer que é falta de tempo, mas é. Parece que agora, no fim da quarta unidade, todos os professores danaram-se a pedir apresentações de seminários... Vocês compreendem, não? Que bom que consegui postar hoje. Até breve, espero!